sexta-feira, 9 de março de 2012

Case de sucesso


A semana foi uma chuva de otimismo sobre o mundo do agronegócio. É um caso a ser estudado sobre a importância para o Rio Grande e para o país a realização da feira de negócios no município próximo, Não Me Toque. Ontem terminou a décima terceira edição do evento, com um leque de avanços sobre a profissionalização da iniciativa colocando o município na Vanguarda no mundo dos negócios internacionais. Não é exagero, que no formato de feira é a mais expressiva do Brasil e por que não da América. 

O projeto inicial tinha como foco a apresentação de técnicas e máquinas a serviço da produção.  Hoje, 13 anos depois, os estrangeiros, que passam de cem, voltaram suas atenções para muito além da tecnologia e partiram para rodadas de negociações da maior demanda mundial do momento, a chamada produção de alimentos. Especula-se que os negócios com estrangeiros superam os 40 milhões. Estrangeiros de várias nacionalidades estão no Rio Grande do Sul em busca de grãos, vinhos, lácteos, carne, óleos e levam daqui a certeza que no Sul do país está uma próspera região que abre portas para a colocação de nossos produtos da terra e com ganhos de alta tecnologia agregada à produção.

Ficou evidente na feira de Não Me Toque que estamos aprendendo a negociar nossa produção, deixando de lado o tradicional bloco do leste europeu, abrindo portas para os mercados da África e oriente.
Como foi uma semana também de clima seco, serviu o evento para tornar corriqueira a conversa sobre a necessidade de uma lavoura que agregue máquinas modernas, porém com o meio ambiente favorável com a premissa de não faltar água no campo. Por conta da forte estiagem a perda na região de Não Me Toque, e parece ser os números de Marau, estão estimadas em 35% e 40% para a safra que passa a ser colhida nos próximos dias.

Que a visão estratégica e planejada da cidade vizinha faça a gente pensar um pouco mais, que não podemos abandonar o campo e sim oferecer condições ideais de seu pleno desenvolvimento.
Mais do que nunca, Marau precisa criar uma Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente para deixar no campo os vocacionados do ofício e lutar pelas melhores condições na busca de produtividade com qualidade de vida.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Racional e inteligente


A semana foi pródiga em reclamações sobre cheiro, barulho e outras inconveniências da vida. Partem de moradores que usam o grande instrumento público da Vang: o Mural Interativo. Não deixa de ser um exercício de cidadania. Também se nota uma certa comodidade de dar voz ao que o morador sente, sem se expor e ficar no anonimato. O texto ao lado trata da visão que temos sobre esta forma de verbalizar, sem se identificar, numa sociedade ainda ressentida sobre a liberdade de dizer e pensar.

Uma cidade como a nossa precisa ser repensada frequentemente. Ao alterar legislações sobre meio ambiente, código de obras ou Plano Diretor, sempre é importante pensar nas conseqüências próximas ou futuras.

É fato e já foi tema deste editorial, que na cidade as casas surgiram depois das nossas principais indústrias. Senão, vejamos: Fuga couros, nasceu primeiro. Frigorífico Borella (hoje BRF) idem. Metasa, Avícola e tantas outras unidades industriais fizeram investimentos e ao redor delas surgiram as moradias.

É fato também que hoje são freqüentes as reclamações sobre o funcionamento destas indústrias e exigindo delas melhorias para não prejudicar a saúde dos moradores. Nota-se que os empresários destas e de outras empresas tentam com esforços se adequar às exigências ambientais. No entanto, são muito freqüentes as reclamações. É fato também que algumas empresas deixaram Marau depois de sofrerem abaixo-assinados com reclamações sobre barulho ou odor. Caso típico foi a Plásticos Negrinho, que encontrou habitat em Camargo, em área industrial. Outro fator importante por deixar a cidade foi a Óleos Vegetais Marau que pertencia a Perdigão. A empresa em questão foi alvo de muitas reclamações, inclusive no Ministério Público, sobre os inconvenientes que provocava para os moradores das proximidades.

O que nos faz pensar é a necessidade de legislação moderna, racional e inteligente, para impedir que no presente e no futuro continuem os loteamentos e projetos habitacionais nas proximidades das indústrias. Nem precisamos lembrar com detalhes os esforços para mudança da legislação municipal.

Assim como em Marau já surgem prédios inteligentes e racionais, com modernidade e conforto para seus moradores, devemos pensar em uma cidade com definições claras de onde colocar indústrias e onde habitar nossa gente, em conformidade com o respeito ambiental. Neste particular, esperamos de nossos futuros dirigentes, visão clara, madura e moderna de respeitar investimentos e garantir qualidade de vida para os marauenses.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Simplesmente Casa da Cultura!


Este foi o mês em que lembramos 15 anos da morte de um grande educador e um exemplo de brasileiro digno. Darcy Ribeiro, um antropólogo de valor e com visão de estadista. Viveu a dedicação de buscar pela educação um Brasil para dar certo. Foi fundador da Universidade de Brasília no governo Juscelino Kubitschek e Ministro da Educação com João Goulart, antes do golpe de 64.
Vice-governador do Rio com Brizola e com a responsabilidade de implantar o revolucionário Centro Integrado de Educação Pública (Cieps), defendendo que um aluno neste sistema custava bem menos do que um detento numa penitenciária. Foi no governo Brizola que se chegou a investir 40% do orçamento estadual em educação. Justamente neste período que se implantou com a genialidade de Oscar Niemeyer o Sambódromo, palco cultural das manifestações do carnaval carioca na Marquês de Sapucaí.
Estamos vivendo dias que antecedem a data de 28 de fevereiro dedicado aos 57 anos da existência do município de Marau. Oportunidade para comemorar avanços, fazer inventário de realizações e celebrar conquistas na educação e primeira infância.
Neste campo, o município avançou sobremaneira, mantém um invejável sistema de transporte escolar 100%, investindo na formação profissional e superior, com o fito de buscar qualidade de vida.
Os investimentos continuam com creches e escolas, mas é fundamental não descuidar da classe dos educadores, fundamento maior como garantia de um ensino qualificado.
Ao citar o educador Darcy Ribeiro e reverenciar os 15 anos de sua morte, nos remete a pensar a forma como agir na nominação de uma grande obra cultural que é a Casa da Cultura, que brevemente será inaugurada dentro das comemorações dos 57 anos de Marau.
Como tivemos ou temos grandes talentos que fizeram e fazem cultura nas diferentes atividades que exercem, a melhor forma de homenagear a todos, seria não nominar a futura casa de nossas artes e espetáculos.
Assim como é simplesmente sambódromo, fica a sugestão de que o município brinde a todos nossos talentos, vivos ou mortos, com a Casa da Cultura de Marau.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Atraso que preocupa

A semana foi de angústia por parte dos produtores integrados de frangos e suínos ligados a Doux Frangosul. Foi oportuno a entrada em ação da Procuradoria do Ministério Público pressionando a empresa para saldar seus débitos em atraso com os 2,2 mil produtores. Reuniões foram realizados com a Fetag (Federação dos Trabalhadores na Agricultura) e Associação de Suínos (Acsurs), tentando encontrar caminhos de solução. Ações judiciais poderiam garantir patrimônio da empresa para tranquilizar os credores. Produtores estão mobilizados para receber o atrasado. Pelo menos 10 processos de cobrança tramitam em diferentes instâncias, e um grupo de 13 integrados ganhou na Justiça posse temporária de matrizes. Fica claro que sozinha a empresa não consegue sair da situação em que se meteu. Evidente que o melhor caminho ainda é a negociação com a continuidade das atividades da empresa. Por conta desta realidade, está no Brasil o presidente da Doux com sede na França, Charles Doux. Já na chegada disse que busca parceiros e investidores para aportar recursos e com isso viabilizar soluções.
Fato marcante é que a redução de alojamento de frangos e suínos terminou por afetar ainda mais o volume de abates.
O Estado do Rio Grande do Sul, atento ao problema, está agora analisando a possibilidade de que tenham ocorrido movimentações financeiras da empresa, com remessa de receitas à sede do grupo Doux, na França. Sabe-se que a empresa no Brasil já declarou que tem dificuldades para fazer pagamentos atrasados.
Na nossa região, são dezenas de agricultores que não recebem há mais de 3 meses.
A dívida com produtores é estimada em R$ 50 milhões, existem casos de alguns produtores que não recebem há mais de seis meses.
A semana termina com uma informação de fonte digna de crédito que as negociações estão sendo consolidadas com a Brasil Foods (Grupo Perdigão) na compra da Unidade gaúcha da Doux ligadas aos integrados de suínos.
Resta saber se realmente a empresa francesa está mesmo disposta a abrir mão de suas operações no Brasil.
Parece que não há outro caminho a não ser a parceria ou compra por uma empresa do mesmo ramo e com experiência, para estimular a continuidade do sistema cooperado, de frangos e suínos.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Perplexidade

Não foi só a presidente Dilma que ficou estarrecida com as conversas de policiais, políticos e ocupantes de cargos públicos interagindo em diálogos cruzados nas greves da Bahia e possivelmente Rio de Janeiro, com ideia de impedir o carnaval. A revolta é de toda a sociedade que a cada dia que passa não sabe mais em quem confiar. Nossas instituições tão frágeis carecem de uma revolução por completa e oxigenação também. Nem precisamos ir muito longe para sentir na pele o grau de insatisfação e apreensão da sociedade. Nesta semana mesmo, até no G1 da Globo aparecia que a cidade de Marau, no interior do Rio Grande do Sul, registrava um furto ou roubo de automóvel a cada dois dias. Foram 13 veículos encaminhados para desmanches só no mês de janeiro. Como ficar tranquilo diante de uma realidade como esta?
Porto Alegre viveu uma quinta feira com mais de 40 reféns, entre funcionários de banco e clientes, sob a mira de bandidos bem aparelhados. Em Passo Fundo outro banco invadido. Incrível que mesmo sem as melhores condições a polícia prende os assaltantes que agiam na região, todos oriundos de Londrina no Paraná.
Em Marau não é diferente a sensação de intranquilidade. Polícia Militar com número bem aquém do necessário. Seus equipamentos não são de melhor necessidade. Falta efetivo e material para operações de combate.
Situação semelhante vive a Polícia Civil. Cumpre geralmente com eficiência o seu trabalho, porém é notório que são necessários mais profissionais e equipamentos, além de veículos em operação de combate ao crime. A sociedade tem a sensação desta realidade.
Não é hora de transferir responsabilidade para ninguém. Evidente que é dever do Estado dotar as unidades policiais com todos os meios adequados e efetivo compatível com o número de habitantes de cada comunidade. É fato que nunca como agora, faltam tantos policiais na atividade, quer na Civil quanto na Militar no Rio Grande do Sul.
Marau até criou com bastante evidência a Secretária de Segurança, Transportes e Meio Ambiente. Claro que se vêem esforços para atingir os objetivos, porém também é verdade que nestas três áreas, muita coisa está acontecendo sem ações concretas para proibir abusos e transgressões.
Todos nós, nas diferentes atividades comunitárias, devemos colaborar com inteligência para evitar que o crime prospere assim tão impunemente. Precisamos ser parceiros dos policiais.
É dever de cobrar também das autoridades, medidas mais fortes de pressão com quem tem responsabilidade de produzir segurança. A população, cada vez mais enclausurada e prisioneira de si mesmo, também está perplexa, a exemplo da nossa presidente.