sexta-feira, 13 de abril de 2012

Caminhos da convergência


A Vang FM e JM/Jornal de Marau realizaram a primeira experiência do projeto Quem Faz Esta Cidade. O encontro foi na sala de reuniões da prefeitura e reuniu representantes de diferentes segmentos da sociedade. Tratamos de trânsito, segurança, saúde, emprego e renda.
Estes e outros temas serão abordados em outros pontos da cidade.
Ficou demonstrado na prática que existe um esforço nas diferentes formas de tentar amenizar localizados problemas.
No entanto, o que fica claro, é a necessidade de uma inclusão de representantes da sociedade organizada para minimizar alguns problemas crônicos e sérios.
Não se justifica que uma cidade com mais de 40 mil pessoas tenha apenas meia dúzia de policiais ostensivamente nas ruas.
 Não dá para aceitar que o Estado não cumpra com sua função de oferecer melhores condições e sensação de segurança pública.

Também ficou evidenciado que o trânsito merece um estudo pormenorizado, mais profissional, contemplando bairros e outros pontos da cidade. Existe um interesse de fazer melhorias, mas carece investimentos e aparelhamento das secretarias responsáveis.
Ainda em se tratando se segurança, debateu-se a possibilidade de implantação da Guarda Armada. Criação do sistema de videomonitoramento da cidade e seus pontos estratégicos, como entradas da cidade e locais de melhor movimentação de público. O projeto dos Azuizinhos está dando bons resultados em outras cidades e possibilita que a Polícia Militar tenha mais tempo para outras atribuições de prevenção e realização de suas funções em oferecer segurança para a população.
No trato de emprego e renda, ficou evidenciada a necessidade de cursos profissionalizantes e preparação de mão de obra que o desenvolvimento requer. Município luta por modificar a forma de usar os recursos de apoio para as empresas como o Fundopen, onde Marau hoje não se inclui atualmente. Em relação a futuros investimentos, a preocupação é oferecer infraestrutura básica para atração de novos empreendedores.

Se percebe a preocupação do governo em oferecer condições de incentivo aos pequenos empreendedores do município na diversificada economia que nos caracteriza.
A situação do enfrentamento da saúde gerou bom debate. De um lado a preocupação preventiva, com consideráveis investimentos na implantação de 12 unidades de ESFs. De outra parte o exagerado número de pessoas que procuram o pronto atendimento curativo, ultrapassando mensalmente o número de 3 mil pessoas atendidas. Há um claro descompasso destas duas realidades.
Este projeto de cobertura jornalística pretende ouvir todos os bairros da cidade. Já ficou claro que o mais urgente é unir forças e tentar discutir com profundidade todos os problemas que uma cidade de desenvolvimento como Marau apresenta e buscar solução.
Construir resultados positivos passa, inevitavelmente, pelo maior grau de consenso da população e suas chamadas forças vivas da sociedade.  

sexta-feira, 30 de março de 2012

Nas mãos de quem?


O mês de março será lembrado com a perda de dois dos mais expressivos nomes do humor e da inteligência, uma ligação direta com a imprensa brasileira. Primeiro foi Chico Anysio, homem de múltiplos personagens e refinado humor. Veio depois a morte de Millôr Fernandes, muito além de refinado humor, um frasista incomparável. 
Jornal O Dia repercutindo morte dos vários Chico's

Os dois nomes ferem com suas mortes a inteligência nacional. Eram versáteis no que faziam. Escreviam, criavam, faziam roteiros de peças teatrais, dirigiam, encenavam e pintavam. Chico cantava também e era mestre do palco e na tela do cinema e televisão.
Millôr era desenhista, jornalista, dramaturgo e escritor, um dos principais responsáveis por marcos do jornalismo brasileiro como a revista O Cruzeiro e o jornal O Pasquim. Millôr pautou sua atuação por uma ironia que machucava as entranhas dos políticos.
Para nós da imprensa, fica a idéia de um insubstituível jornalista e paradigma de como devemos ser. Ensina para todos os que atuam nas comunicações: “A imprensa é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”.
A “oposição” está longe de ser a político partidária e sim a do questionamento, postura e posição perante as obras do cotidiano.
Em outra sentença, de intermináveis verdades, eternizou: “Político profissional jamais tem medo de escuro. Tem medo é de claridade”. Ou ainda quando, naquela época de embriagues política e econômica sentenciou: “Brasil; um filme pornô com trilha de Bossa Nova”.
Um gênio da cultura. Um construtor da moralidade e decência, que entre suas críticas jamais teve medo em manifestar qualquer opinião a respeito da situação do país.

Millôr morreu aos 88 anos

Já perdemos tantos, Nelson Rodrigues, Chico Anysio, Millôr Fernandes, que serão sempre modelos para a prática do jornalismo e do humor com inteligência.
Abaixo, uma série de ditos desse grande brasileiro das letras, das obras e do bom humor.

“O Jornalista deve ser cético para que o leitor não se torne cético com relação ao jornalista”.

“Fiquem tranquilos os poderosos que têm medo de nós: nenhum humorista atira para matar”.

“Fiquem tranquilas as autoridades. No Brasil jamais haverá epidemia de cólera. Nosso povo morre é de passividade”.

“Nossos corruptos são tão incompetentes que só conseguem roubar do governo. Se fossem ladrões na iniciativa privada morreriam de fome”.


Além destes ícones, quem seguir agora?

sexta-feira, 23 de março de 2012

Quem faz esta cidade!


Até a idéia não é original. A Rádio Gaúcha fez isto percorrendo 5 regiões do Estado para fazer uma radiografia da diversidade do Rio Grande do Sul. A Vang FM e JM/Jornal de Marau, também se propõem a ouvir, muito mais do que falar. Para isso faz um projeto de cobertura externa, na filosofia de sair dos estúdios e se identificar mais com o seu público ouvinte. Lideranças, entidades, empresários, a chamada força viva do bairro terá a oportunidade de discutir um pouco suas urgências e necessidades.

Certamente é a oportunidade de agradecer as melhorias e conquistas que a comunidade vivencia. É salutar que moradores verbalizem e consigam exercer a cidadania, quando reclama de Segurança Pública e sua melhor forma de fazer. Quando deseja que sejam implementadas mudanças e avanços nas áreas de maior necessidade. Com esta iniciativa, será importante ouvir as mulheres que poderiam dar informações de como funciona o sistema de saúde e os ESFs dos bairros. Como funciona o sistema de visita dos agentes de saúde, ruas, calçamento, distribuição de água, transporte, comunicações, creches, escolas e tudo o que diz respeito a melhor qualidade de vida.

O departamento de Jornalismo da Vang FM e JM/Jornal de Marau está preparando com cuidado a transmissão do projeto Quem Faz Esta cidade, dentro do Espaço Plural, nas quintas-feiras entre 09 e 11 horas. O JM circulará na edição de fim de semana com matérias produzidas no local com o objetivo de retratar sob a ótica do povo como está no nosso município em forma de radiografia.
Depois de vários anos cobrindo os fatos de uma comunidade regional, percebemos que é fundamental levar o rádio e sua forma de fazer, para o conhecimento do público que confere índices de expressiva audiência, notadamente o programa Espaço Plural, que trata-se de um marco no jornalismo do interior.
Antecipamos agradecimentos, em nome da Vang FM e JM/Jornal de Marau.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Tropeçar na realidade

Quem governa gosta de pontuar os fatos positivos. Geralmente, não gosta de expor os acontecimentos negativos. Raros são os que lutam para transformar o limão em limonada e respeitar a liberdade de imprensa. Estes são os grandes democratas. Aqueles que até gostam que a imprensa levante temas e depois corrija, demonstrando ser sensível para o jornalismo sério e responsável. O Rio Grande do Sul assiste nos últimos dias inconformidade e posicionamento do governo Tarso Genro sobre dois temas que tem relação com a campanha eleitoral. Até que tem aceitado críticas.

O primeiro assunto diz respeito ao Piso do Magistério. Quando Ministro da Educação já sinalizava para a recuperação digna da remuneração dos professores. Na campanha eleitoral para o governo, disse que implantaria o Piso Nacional. Agora, com a visão do outro lado do balcão, pede calma e pretende escalonar até o fim do mandato a implantação do piso que hoje é de R$ 1.450,00, para 40 horas. O Rio Grande do Sul figura como o Estado que paga o menor salário básico aos professores. É um escândalo. Isto contraria o discurso ufanista que tanto fazemos sobre escolaridade, nível de educação e deixando cair por terra a expressão que já foi corriqueira: os gaúchos são os mais politizados do Brasil.

O governo não quer o piso Fundeb. Causa desconforto entre os partidos aliados o discurso de Tarso que gostaria de ver aplicado o índice Nacional de Preços ao Consumidor ( INPC).

A Lei Federal é pela conformidade do reajuste pelo Fundeb. Cabe ao governador, que defende a importância de estar aliado ao governo federal, comprometer a União para socorrer prefeitos e governadores que não dispõem de meios para cumprir o que determina a Lei. Estranho é que mais de 15 Estados cumprem a lei, e aqueles que são menos expressivos e de tradição como o Rio Grande do Sul. Primeiro passo é repactuar as dívidas dos Estados para com a União.

Outro tema de campanha foi o fim de alguns pedágios. Está na lembrança a promessa de imediata retirada do pedágio entre Caxias do Sul e Farroupilha. Continua arrecadando e desgastando o governo. Agora o drama é pela renegociação ou não das concessões de pedágio.

Até se fala em implantação temporária de Pedágios Comunitários, para não deixar cancelas abertas enquanto novos editais de concessões para a iniciativa privada não são autorizados.

Serve de alerta para todos, em tempo pré-eleitoral. Ao se fazer afirmações sobre ideias futuras é recomendável toda a cautela para não tropeçar na realidade.

terça-feira, 13 de março de 2012

Retiradas de crucifixos do Poder Judiciário



Irretocável a opinião do grande jurista e ex-Ministro do STF, Paulo Brossard de Souza Pinto na página 13 da Zero Hora do dia 12 de março, intitulado Tempos Apocalípticos. 
Vale a pena reproduzir um tópico. Sem tirar e nem por.

A meu juízo, os crucifixos existentes nas salas de julgamento do Tribunal lá não se encontram em referência a uma das pessoas da Santíssima Trindade, segundo a teologia cristã, mas a alguém que foi acusado, processado, julgado, condenado e executado, enfim justiçado até sua crucificação, com ofensa às regras legais e históricas, e, por fim, ainda vítima de pusilanimidade de Pilatos, que tendo consciência da inocência do perseguido, preferiu lavar as mãos, e com isso passar à história.
Em todas as salas onde existe a figura de Cristo, é sempre como o injustiçado que aparece, e nunca em outra postura, fosse nas bodas de Caná, entre sacerdotes no templo, ou com seus discípulos na ceia que Leonardo da Vinci imortalizou. No seu artigo “O justo e a justiça política”, publicado na Sexta-Feira Santa de 1899, Rui Barbosa salienta que por “seis julgamentos passou Cristo, três às mãos dos judeus, três às dos romanos, e nenhum teve um juiz”... e, adiante, não há tribunais, que bastem, para abrigar o direito, quando o dever se ausenta da consciência dos magistrados”.
Em todas as fases do processo ocorreu sempre a preterição das formalidades legais. Em outras palavras, o processo, do início ao fim, infringiu o que em linguagem atual se denomina o devido processo legal. O crucifixo está nos tribunais não porque Jesus fosse uma divindade, mas porque foi vítima da maior das falsidades de justiça pervertida.